7 de dezembro de 2018

Sessão "Reforço do Apoio ao Investimento Territorial - Aprovação da Reprogramação do Portugal 2020"


O Ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, e o Secretário de Estado do Desenvolvimento e Coesão, Nelson de Souza, vão estar presentes na sessão “Reforço do Apoio ao Investimento Territorial - Aprovação da Reprogramação do Portugal 2020”, que se realiza no próximo dia 11 de dezembro, às 10h30 horas, no Convento de São Francisco - Antiga Igreja do Convento, em Coimbra.

Consulte o programa e inscreva-se até ao dia 10 de dezembro


5 de dezembro de 2018

7 e 8 dezembro | Tomar | 2as Jornadas de Turismo: turismo cultural e religioso

O Instituto Politécnico de Tomar (IPT) promove nos próximos dias 7 e 8 de dezembro as 2as Jornadas de Turismo: Cultural e Religioso. Iniciativa que vai debater a importância em valorizar produtos de base cultural em destinos com uma vasta riqueza de oferta de recursos patrimoniais. 

As 2as Jornadas de Turismo: turismo cultural e religioso tem como objetivos: 
  • Refletir sobre a importância do turismo cultural e religioso para a imagem dos destinos turísticos, para o desenvolvimento territorial e atratividade turística; 
  • Perceber se a valorização de um destino turístico, do ponto de vista turístico cultural e religioso, se encontra associado a uma economia das experiências através do desenvolvimento e promoção de produtos turísticos;
  • Entender se os produtos de base cultural tendem a acrescentar valor aos destinos turísticos e por essa via a desempenhar um papel fulcral no âmbito dos planos de desenvolvimento turístico das regiões, através da criação de produtos turísticos culturais sustentáveis.
As 2as Jornadas de Turismo: turismo cultural e religioso por forma a atingir os objetivos propostos, apresentam uma estrutura dividida em painéis temáticos onde se abordará a importância do turismo cultural e religioso para os territórios, a museologia, a segurança no turismo e no património religioso e uma última temática dedicada à importância da gastronomia como produto turístico cultural e religioso na dinamização das economias locais.

Consulte o programa e faça a sua inscrição gratuita no website www.jornadasdeturismo.ipt.pt.


4 de dezembro de 2018

O Café que Alicerçou um Empreendimento Turístico


O Lourenço sempre quis lançar um negócio na área do turismo. A vontade persistia, mas faltava dar o passo em frente. “Quem sabe um dia, quando ganhar o Euromilhões”, afirmava, vezes a fio, meio a brincar, meio confortado pelo aparente eternizar dos desígnios quando os adiamos indefinidamente. 
Um dia, esbarrou casualmente com o Brito, um velho amigo, numa esquina da baixa de Coimbra. Resolveram tomar um café e meter a conversa em dia. Falou-lhe do seu projeto. 

– De facto parece-me uma bela ideia – referiu o Brito. 

– Lá bela é, mas não sei se vai algum dia sair da gaveta. 

– Seria uma pena, tem imenso potencial e esse sector está em alta – respondeu o Brito. 

– Pois, eu sei, mas não estou a ver maneira de conseguir financiar isto. Fala-se em apoios comunitários para isto e aquilo mas depois não há informações em lado nenhum. 

– Olha que há, Lourenço, olha que há. Tens é que saber procurar. Não conheces o Apoio ao Investimento Turístico do Turismo Centro de Portugal? 

– Eu não. 

– Lá está! Mas devias conhecer, pá. É um serviço público que está à nossa disposição, vais lá e eles informam-te sobre essas coisas todas. 

Os dois amigos despediram-se com a mesma espontaneidade com que se encontraram. 

Lourenço seguiu o conselho. Agendou uma reunião e descobriu que existia um fundo específico para a sua região e para o seu sector. Fez a candidatura. Obteve o fundo. Hoje, o seu negócio é uma realidade. 


Esta conversa é fictícia. No entanto, retrata uma situação real e quotidiana. 
Tens conhecidos que planeiam enveredar pelo empreendedorismo turístico? Fala-lhes de nós. 
Tens conhecidos que poderão ter essas pretensões? Fala-lhes de nós.
Tens conhecidos? Fala-lhes de nós. 
A tua sugestão pode ser o esbarrar fortuito que faz toda a diferença. 

11 dezembro | Caldas da Rainha | Sessão de Apoios da União Europeia


O Centro de Informação Europe Direct Oeste e Lezíria do Tejo, em parceria com a Comunidade Intermunicipal do Oeste, promove uma sessão de informação dedicada aos Apoios da União Europeia, no próximo dia 11 de Dezembro, com inicio às 10h00, no auditório da Comunidade Intermunicipal do Oeste nas Caldas da Rainha.

sessão contará com  uma apresentação feita pela Chefe da Representação da Comissão Europeia em Portugal, Sofia Colares Alves, e as apresentações do Programa Europa para os Cidadãos e do Programa Europa Criativa.

Os Programas Europa para os Cidadãos e Europa Criativa têm como destinatários elegíveis autarquias e outras entidades públicas, entidades privadas sem fins lucrativos e entidades públicas ou privadas com ou sem fins lucrativos do sector criativo/cultura.

A participação é gratuita mas sujeita a inscrição para o mail info@europedirectolt.pt até ao dia 07 de Dezembro.

3 de dezembro de 2018

Uma oportunidade hospedada no Hotel Rural Vilarinho


Nas Talhadas, uma pequena e tranquila freguesia de Sever do Vouga, as ruínas de uma casa senhorial de 1776 foram transformadas num hotel rural. As obras demoraram dois anos (2013 a 2015) e resultaram num ambicioso empreendimento com 17 quartos duplos, uma suite, um quarto adaptado a pessoas com mobilidade condicionada, piscina coberta, restaurante, bar e sala etnográfica. Tudo isto rodeado pela natureza e tranquilidade do campo.
O Hotel Rural Vilarinho foi desenhado ao mais ínfimo detalhe e essa minuciosidade reflete-se nas altas taxas de ocupação e nas notas elevadas nas plataformas de avaliação do Tripadvisor (5.0/ 0 a 5) e do Booking (9,2 / 0 a 10). Hoje é um marco ímpar na região. E é uma oportunidade de investimento. 


Tudo começou em finais de 2012. Mónica Matias decidiu, finalmente, ceder ao plano que há muito lhe povoava o pensamento. As obras avançaram no primeiro mês do ano seguinte. “Foi a concretização de uma grande vontade de reconstruir um património antigo que tem muito valor para a população local e para os portugueses em geral”, afirma a empreendedora. 

Explica que foi recuperada toda a estrutura em granito da casa antiga, que pertencia a um clérigo local, mantendo todos os traços arquitetónicos da altura. “Conseguimos até recuperar e conservar uma cozinha típica e uma mina de água”. 


Era uma estreia na área do turismo. Dois anos e centenas de hóspedes depois, todas as expectativas foram excedidas. Para além da qualidade do espaço – sublinhado inúmeras vezes nas críticas do Tripadvisor e Booking – Mónica justifica o sucesso com as características da região onde decidiu apostar. “A tradição e a simplicidade aliadas ao conforto proporcionam ao cliente um bem-estar e um relaxamento profundo, dentro da Serra e perto do mar, numa região rica em história e cultura”. 

Mónica destaca ainda mais a localização privilegiada: “Temos excelentes acessos, estamos localizados a três minutos do acesso à A25”. A empreendedora salienta que não obstante a sensação de isolamento e afastamento que o Hotel Rural Vilarinho permite sentir e usufruir, este, no fundo, “está perto de tudo”. “Estamos a 20 minutos de Aveiro, uma hora do Porto, uma hora de Coimbra, hora e meia de Fátima”, assegura. Este facto torna o hotel “particularmente apetecível para empresas”. 



Apesar do sucesso, Mónica confessa estar disponível para negociar o empreendimento. “Há uma boa oportunidade de expansão para um potencial investidor”, afirma. “Existe a possibilidade de ampliação do edifício para criar mais quartos (singles), podendo assim trabalhar com agências/grupos de autocarros de 56 pessoas”.
Existe ainda uma zona que pode ser adaptada para a criação de um SPA, terreno para a instalação de bungallows e a possibilidade de aquisição de uma casa vizinha, “que expandirá ainda mais o empreendimento, com mais quartos e zonas de lazer”. 



Uma aposta que Mónica considera segura. “Já conseguimos atingir os objetivos face ao projeto existente no Turismo de Portugal, para além disso, o nosso hotel segue os critérios do projeto QREN Provere (Programas de Valorização Económica de Recursos Endógenos) e tem todas as condições para se tornar num ‘ícone’ de Turismo Rural”. 






Podem obter mais informações sobre o Hotel Rural Vilarinho no seu website

30 de novembro de 2018

Caldas da Rainha | 11 dezembro | Workshop Alojamento Local

A Associação Empresarial da Região do Oeste – AIRO, promove inserido no Tourism Startup Program, no próximo dia 11 de dezembro com início às 14h30, no Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha, um Workshop sobre Alojamento Local, onde serão debatidos os temas: inovação e futuro do setor, o seu regime jurídico e regime fiscal. 

Programa:

14h30  Sessão de Abertura 
             Tinta Ferreira | Presidente do Município das Caldas da Rainha
             Nuno Santos | Direção AIRO
             Pedro Machado | Turismo Centro de Portugal
             Pedro Folgado | OesteCim 

15h00  O Novo Regime Jurídico do Alojamento Local
             Ana Blanco | Turismo de Portugal

15h45  A Visão das Autarquias Locais sobre o Papel do Alojamento no Desenvolvimento do                    Turismo
             Moderação: Paulo Simões | Oeste CIM 
             
             Presidente Município de Óbidos | Humberto Marques 
             Presidente Município de Alenquer | Pedro Folgado
             Presidente do Município de Torres Vedras | Carlos Bernardes
             Presidente do Município de Peniche | Henrique Bertino 
             Vice-Presidente Município das Caldas da Rainha | Hugo Oliveira

16h30  Inovação no Alojamento Local 
            Estratégia, Desafios e Oportunidades no Alojamento Local
            Daniel Pinto | Diretor EHTO | Turismo de Portugal

17h10 Análise ao Regime Fiscal do Alojamento Local 
           Sónia Martins Arêde | Raposo, Sá Miranda & Associados

17h30 – Debate

18h00 – Encerramento
              Paulo Almeida | Diretor ESTM IPLeiria

A inscrição é gratuita e limitada. Faça AQUI a sua. 


27 de novembro de 2018

BEST-Business Education for Smart Tourism - Capacitar as empresas para a criação de valor

O Programa BEST – Business Education for Smart Tourism visa capacitar os empresários, os empreendedores e os gestores de Turismo para a criação de valor para os seus negócios, considerando os atuais desafios, dinâmicas e tendências do setor.

Através de ações e iniciativas de formação e de qualificação a realizar em todo o território nacional entre dezembro de 2018 e junho de 2019, o Turismo de Portugal pretende contribuir para a melhoria da rentabilidade e da sustentabilidade das empresas turísticas, estando prevista a abordagem de uma diversidade de temas como o digital, o marketing, os modelos de financiamento, a gestão financeira e operacional e os recursos humanos.

Primeiras Ações:

A participação é gratuita e sujeita a inscrição prévia em http://bit.ly/BEST1819

26 de novembro de 2018

O Crepitar das Memórias


Pai e filho estão sentados em frente à lareira. Estão em silêncio, só se ouve o som da lenha a arder e da chuva a bater nas portadas de vidro. Se as abrirem, o cheiro da terra molhada espalha-se pelo salão, cheio de obras de arte e antiguidades. Também esse cheiro é antigo. Ambos os homens recordam-no com facilidade das suas infâncias. Viveram-nas aqui, como tantos antepassados ao longo dos séculos. Ambos têm o mesmo nome, Francisco Paiva Calado. O pai tem 76 anos, o filho 42. Estão em silêncio mas esta lareira já testemunhou conversas que alimentariam volumes. No aconchego destas chamas já se falou dos reis e príncipes que aqui pernoitaram; dos salvamentos aqui planeados e executados de figuras históricas das invasões napoleónicas; nas ascendências e descendências da família que ondulam entre aios de Afonso Henriques, capitães que cruzavam os mares do extremo Oriente nas suas naus e cavaleiros que nunca regressaram de Alcácer Quibir. 
Mas hoje, não. Os Franciscos bebem uma cevada quente e partilham o silêncio deste entardecer de Outono, que debruça a sua cor de âmbar nos olhos cúmplices de pai e filho, separados por três décadas mas unidos por uma visão comum. A transformação de uma casa que passa de geração em geração há 450 anos num marco turístico incontornável da região Centro do país. Na Foz do Arelho, a Quinta da Foz é mais do que uma casa cheia de histórias. A casa é a História. 


ANCESTRALIDADE 

Foi no ano de 1568 que António Vaz Bernardes, cavaleiro da casa real, adquiriu a Quinta da Foz. Alguns anos depois (1581), o Rei Filipe I instituiu o morgadio na propriedade (que também era conhecida como Quinta de Nossa Senhora de Guadalupe), a única construção no lugar que se viria a denominar Foz do Arelho (Caldas da Rainha). “A povoação desenvolveu-se em torno da quinta”, refere Francisco. Explica que a quinta possuía bastantes terras à sua volta, que foram ao longo das décadas sendo cedidas a agricultores, primeiramente para o seu cultivo, posteriormente para a construção de habitações. Num morgadio, como era usual na época, esta cedência era feita sob a forma de pagamento de foros. 
Tradicionalmente, um morgadio era transmitido por herança ao descendente varão primogénito. Assim foi na Quinta da Foz, ao longo dos anos, décadas, séculos, até chegar ao proprietário atual.



A POSSIBILIDADE DO TURISMO

Francisco sorri com a questão. Não, a decisão de converter uma casa de família ancestral ao turismo não foi propriamente uma oportunidade. Foi uma necessidade. “Na brincadeira chamo-lhe a casa das obras. Assim que termina uma, inicia-se outra noutro lado. É uma casa muito dispendiosa, em manutenção permanente”, afirma. 
Em 1983 foi implementado o Turismo de Habitação em Portugal. Um tipo de alojamento em habitações com interesse patrimonial e histórico, geralmente solares e casas apalaçadas que conservam a sua herança cultural, refletindo-se essa conservação na sua hospitalidade.
O projecto foi lançado em quatro zonas piloto: Vouzela, Vila Viçosa, Castelo de Vide e Ponte de Lima. Esta última vila é conhecida pela vasta quantidade de solares barrocos do país. Alguns pertenciam a familiares de amigos de Francisco (filho), que resolveram apostar nessa nova tendência. A possibilidade despertou o interesse de Francisco. Em finais da década, pai e filho meteram-se à estrada e visitaram-nos a todos. “Fomos ver como funcionava, no fundo éramos uns amadores nisto, a nossa vida não era propriamente esta, isto ia modificar um bocado o nosso quotidiano na casa”. 



A REALIDADE DO TURISMO

Abrir ao mundo um espaço familiar não era uma decisão fácil. Francisco pensou bastante no assunto. Após ponderação, resolveu experimentar. Tudo parecia conjugar-se nesse sentido. Até o próprio espaço físico da casa era propício. “Habitamos no primeiro andar e temos o rés-do-chão inteiro disponível para o turismo”, afirma. Acrescenta: “Quem valorizar mais a privacidade, entra e sai às horas que quer, dispõe do seu tempo como quiser”. Por outro lado, quem quiser conviver, pode subir ao primeiro andar – onde são servidos os pequenos almoços – e privar com os anfitriões. 
Lá em cima, é onde o deslumbre acontece. Há três salões enormes, todos interligados por portadas abertas, todos decorados com objetos e artefactos antigos, recolhidos ao longo de gerações. A sala dos pequenos-almoços permite um vislumbre longitudinal de todos eles. Um vislumbre que acende a curiosidade e a vontade de explorar. Um vislumbre que relembra Howard Carter, arqueólogo inglês, quando alumiou à luz de vela um pequeno buraco que lhe permitiu espreitar pela primeira vez o túmulo de Tutankamon e dizer: “Vejo coisas maravilhosas”.
E o que maravilha os turistas na Quinta da Foz é que os anfitriões têm todo o prazer em mostrar esses espaços e conversar sobre tudo o que lá se encontra. Seja durante o dia ou num serão à lareira, Francisco sublinha essa predisposição. “Temos muito gosto em manter essas conversas, que penso que também lhes agradam”. Um livro antigo, uma espada, um quadro, uma estátua, um velho bacamarte, tudo tem um legado aqui. Não são objetos adquiridos para decoração. São objetos que fazem parte da história desta casa. E há tanta História nesta casa.



UMA CASA CHEIA DE HISTÓRIAS

O ranger do assoalho de madeira denuncia o regresso de Francisco. Senta-se, retira os óculos de uma pequena bolsa vermelha de veludo, coloca-os no rosto e perscruta, cuidadosamente, o índice do livro biográfico que foi buscar à biblioteca. Fez questão de responder a uma pergunta sobre o legado familiar com exatidão. Mas, na maior parte das vezes, dispensa a consulta. Sabe de cor nomes e linhagens inteiras, datas, locais de nascimento e de morte. Uma memória com raízes na infância. 
Nos anos 40, sem eletricidade e televisão, o programa que preenchia os serões na Quinta da Foz eram as conversas à lareira. Francisco relembra essas noites, algumas com sabor proibido porque ficava acordado até mais tarde, com o rosto iluminado apenas pela luz do fogo, a ouvir histórias misteriosas que os empregados contavam sobre bruxas que se reuniam numa eira nas noites de luar. Eram relatos que lhe causavam alguns arrepios, mas os que o fascinavam mais eram os da avó, que tinha sempre um episódio novo para partilhar sobre a história da família.
Foi pela sua voz que soube que Egas Moniz, aio de D. Afonso Henriques, tem uma ligação à sua família. “Ele teve vários filhos. Um deles, nessas alturas de conquista de território, instalou-se na região que agora se chama Castelo de Paiva. Construiu um torreão e instalou-se junto ao rio Paiva. Na época, as pessoas assumiam o nome das zonas onde se instalam e ele assumiu o nome do rio. Daí o nome Paiva, que ainda perdura na nossa família”.


Entusiasmado, como quem vira a página de um livro cativante, Francisco viaja até à altura em que o Rei D. Sebastião, ficou alojado na Quinta da Foz. Aconteceu no verão de 1569, quando um surto de Peste Negra se espalhou por Lisboa. Morriam 600 pessoas por dia na capital, instalou-se o pânico na corte e o Rei decidiu procurar refúgio noutra região. Ainda estava fresca a recordação da pandemia que dois séculos antes matara um terço da população portuguesa. 
João d’Eça era um dos cavaleiros próximos de D. Sebastião. Era também marido de Catarina Bernardes, filha do proprietário da Quinta da Foz. O rei acatou a sugestão do seu cavaleiro e passou lá grande parte do mês de Junho. “Esteve também algum tempo na Quinta do Bom Sucesso, onde mandou fazer um cais no topo da lagoa de Óbidos, onde passava as tardes a pescar”, afirma Francisco. 
O surto da Peste Negra durou até à Primavera de 1570 e colheu a vida de 60 mil pessoas. Oito anos depois, D. Sebastião nunca regressaria de Alcácer Quibir. D. João d'Eça também não.


“Mas há mais estadias reais na Quinta da Foz”, assegura Francisco, enquanto folheia mais uma página da história da sua casa. Conta que o Rei D. João V (1689-1750), costumava procurar alívio para as suas maleitas nas águas das termas das Caldas da Rainha. “A sua corte instalava-se nos arredores. O irmão, Infante D. Manuel (1697-1766), alojava-se sempre na Quinta da Foz”. 
Alguns séculos depois, o Rei D. Carlos I (1863-1908) também elegia a Quinta da Foz como destino preferencial. “ Ele gostava de vir à Foz do Arelho caçar tainhas a tiro, um peixe que salta frequentemente para fora da água”, diz Francisco. “Devia ser um excelente atirador”, complementa, com um sorriso. 
Para além do espaço, o rei elegeu também uma cama predileta. “Uma cama de birlos”, releva Francisco. Sempre que o monarca ficava noutro sítio da região, essa cama tinha de ser deslocada para lá. “Ficou conhecida como a ‘cama do rei’ e ainda hoje existe na família”.


Inclusivamente, há raízes desta família que estão ligadas a uma das histórias de amor mais célebres e trágicas de Portugal. “O nosso antepassado António Vaz Bernardes era avô de trisnetos do Rei D. Pedro I e Inês de Castro”, afirma Francisco. O casal real teve três filhos, incluindo D. João, que por sua vez foi pai de D. Fernando de Eça. Este último teve vários filhos, incluindo D. João de Eça, que teve o filho homónimo que casou com Catarina Bernardes, filha do senhor da Quinta da Foz. Desse casamento nasceram seis filhos, todos trisnetos de Pedro e Inês.


No topo de uma arca de madeira, está um busto com uma assinatura especial: Bordallo Pinheiro. Foi ele o escultor que imortalizou o rosto de Francisco Bernardes, bisavô de Francisco. O trabalho foi encomendado pela filha do homenageado, Ana Guadalupe Bernardes. “Ela própria tinha uma certa veia artística”, refere Francisco. Nos salões da Quinta da Foz há várias obras suas. Livros de poesia, serviços de flores esculpidos a cera e até um quadro muito peculiar, que exibe uma freira cujo manto foi bordado com os próprios cabelos da artista. 
Mesmo a arca que sustenta o busto conta uma história. Pertencia ao capitão Stockler (1759-1829), capitão-general dos Açores do Século XIX, que as transportava nos porões da sua nau quando cruzava os mares do extremo Oriente e do Atlântico. A bisavó de Francisco, Maria de Stockler de Albuquerque, era descendente do capitão. Num armário envidraçado dos salões da Quinta da Foz, está exibido um dos seus coletes oficiais.


“E a história do general Junot, pai?”. Francisco sorri com a interpelação do filho. “Ah, essa história...”, alude, numa infusão de interesse, enquanto leva a chávena de chá aos lábios. 
Conta que no início do século XIX, O general Junot comandou as tropas de Napoleão na primeira invasão francesa a Portugal. Após a derrota, durante a retirada das tropas em 1808, “o general foi apanhado na cidade de Santarém e a população queria fazer o seu linchamento”. 
A mãe do bisavô de Francisco, Catarina de Proença Monteiro, era casada com Cosme de Paiva, governador civil de Santarém. Ambos decidiram salvar o general. “Eles acharam que era indigno um oficial, mesmo que fosse do exército que nos estava a ocupar, ser linchado sem julgamento e enforcado em praça pública”, afirma Francisco. O casal delineou um plano, que culminou com o general a ser escondido e transportado na carruagem da família até aos limites do concelho. “A partir desse ponto, seguiria pelos seus próprios meios”. Durante imenso tempo não souberam o que tinha acontecido no resto dessa jornada, até que uma carta, proveniente de França e manuscrita pelo punho de Junot, lhes agradeceu o gesto. 
Essa carruagem, que chegou a estar em exposição num museu de Santarém, está no picadeiro da Quinta da Foz, onde são dadas aulas de equitação aos turistas.


As histórias são inúmeras e acumulam-se neste espaço que tem uma identidade tão própria que já serviu de palco para duas telenovelas, “Água de Mar” (RTP) e “A única Mulher” (TVI), ambas com episódios filmados nos seus salões, quartos e jardins. 


NOVOS DESÍGNIOS

Após todos estes anos, Francisco considera positiva a aposta no turismo. ”Definitivamente, foi uma decisão que valeu a pena”.  Sentado ao seu lado, o filho esboça um sorriso concordante. Também ele tem toda uma vida envolta no regaço destas paredes ancestrais; também ele delineia e prevê um futuro cada vez mais auspicioso neste projecto turístico.
Informa que  começaram por converter cinco quartos, mas optaram manter apenas quatro. “Um deles era mais pequeno e um pouco escuro, não era muito procurado. Fechámos, com a intenção de mais tarde transformá-lo, torná-lo mais acolhedor e apetecível”. Os anos foram passando e a procura foi subindo. “A estadia média na região é 1,3 dias. Os nossos hóspedes ficam, em média, quatro dias”, refere Francisco (filho). Recebem turistas de todo o mundo, com maior frequência holandeses, espanhóis, brasileiros, russos e ingleses. Estes últimos valorizam de forma mais intensa este tipo de património histórico. “Não mexam muito nisto! É isto que nós adoramos!”, ouviu de um turista londrino, quando o informou da intenção de proceder a obras de remodelação. “Não se preocupe, vamos apenas reforçar o conforto e a comodidade, sem comprometer a identidade”, assegurou. 
É esse um dos dois desígnios a curto prazo da Quinta da Foz. Remodelar os quartos e expandir a oferta, convertendo instalações desabitadas da quinta em apartamentos de férias. O outro desígnio é consolidar a oferta de experiências turísticas no espaço. Workshops de apicultura, roteiros vínicos, iniciação à equitação, piqueniques gourmet na quinta, treinos de falcoaria e até um um atelier de tiro com arco, com possibilidade de agendar torneios noturnos, com arqueiros vestidos a rigor, tochas e degustação de chás e licores locais.



É também possível deambular pelos jardins e espaços verdes da quinta, onde se podem encontrar diversos animais, desde pavões, gansos, cavalos, burros, pássaros e uma simpática cadela, adequadamente apadrinhada com o nome “Foz”. 
Para além dos “pequenos-almoços inesquecíveis”, que são servidos na sala de jantar com a lareira acesa, quem visita a Quinta da Foz destaca sempre o passeio pelas ruas e vielas dos séculos que a casa permite fazer, sempre guiado pela mão dos anfitriões. Os diálogos sobre o passado e legado deste local histórico despertam sempre interesse e, mesmo nas noites mais invernais, originam serões aconchegantes. As memórias ardem nesta casa. E os turistas sentem esse calor. 

23 de novembro de 2018

Estadias com História: A nossa nova rubrica de reportagens



Vamos dar início a um novo ciclo de reportagens. Paralelamente à rubrica “Investi no Centro”, onde damos a conhecer histórias de empreendedorismo turístico na zona centro de Portugal, vamos introduzir a rubrica “Estadias com História”.

Esta nova iniciativa aborda empreendimentos turísticos implementados em edifícios com significado histórico ou sociocultural. Seja uma casa onde viveu uma personalidade que o tempo imortalizou, um edifício onde ocorreu determinado evento histórico de relevo, ou um solar antigo onde conviveram figuras marcantes do nosso passado. Casas que testemunharam acontecimentos que nos despertam a curiosidade. Casas que são, elas próprias, a história. 

Pretendemos promover a memória patrimonial e o legado histórico e sociocultural da Região Centro de Portugal, englobando, simultânea e implicitamente, um estímulo ao investimento turístico. 

A rubrica vai ser estreada já na próxima segunda-feira, com uma reportagem sobre a Quinta da Foz do Arelho, empreendimento de Turismo de Habitação onde ainda hoje se contam histórias à lareira sobre os reis que lá pernoitaram ou as operações de salvamento de figuras históricas que lá foram planeadas e executadas. Esses e muitos outros episódios revelados segunda-feira, na reportagem “O Crepitar das Memórias”.

Sessão Esclarecimento "O Papel dos Produtos Endógenos no Turismo"

Inserida no Tourism Startup Program, no próximo dia 27 de novembro, no Posto de Turismo das Caldas da Rainha, vai decorrer a Sessão “O Papel dos Produtos Endógenos no Turismo.”

Programa

14h30 – Sessão de Abertura
              Fernando Tinta Ferreira – Presidente da Câmara Municipal das Caldas da Rainha
              Ana Maria Carneiro Pacheco – Presidente AIRO

14h45 – Produtos Autênticos e o seu Impacto no Desenvolvimento Sustentável do Turismo
              Carla Branco – Docente ESTM - IPL Leiria

15h00 – A Importância dos Produtos Endógenos no Turismo
              Dulcineia Ramos – Docente ESTM - IPL Leiria

15h15 – Lojas com História
              Paulo Simões – OesteCIM

15h45– A Valorização dos Produtos Endógenos nas Caldas da Rainha
             Hugo Oliveira – Vice-Presidente da Câmara Municipal das Caldas da Rainha

16h00 – Mecanismo de Apoio à Promoção de Produtos Endógenos - Caldas Empreende
              Sérgio Félix - AIRO

16h15– Debate

Inscrições gratuitas para: geral@airo.pt

Ver Programa

22 de novembro de 2018

OE 2019 - Que oportunidades para o investimento no interior do pais?


A AIRV - Associação Empresarial da Região de Viseu, em colaboração com a Deloitte, promovem uma sessão sobre os principais impactos fiscais da Proposta de Lei do Orçamento do Estado para 2019 – Que oportunidades para o investimento no interior do país?
A sessão irá realizar-se no próximo dia 29 de novembro, entre as 15:30 e as 18:00 horas, na AIRV-Edifício Expobeiras – Viseu, com o seguinte programa:

Programa:

15:30h - Receção aos participantes  

15:45h - Abertura
      António Almeida Henriques, Presidente da CM de Viseu
      João Rebelo Cotta, Presidente da Direção da AIRV

16:00h - OE 2019 | Famílias, Empresas, Incentivos ao Investimento, Consumo
      Famílias | Luís Leon, Deloitte    
      Empresas | Paulo Gaspar e André Vasconcelos, Deloitte
      Incentivos ao Investimento | Susana Enes, Deloitte
      Consumo | Sofia Miranda, Deloitte

17:00h - Mesa redonda/debate com empresas da região
      Que oportunidades para o investimento no interior do país?
    
17:50h - Encerramento

Mostra de start ups e/ou empresas da Incubadora AIRV, produtos e entidades parceiras do evento

participação é gratuita, faça aqui a sua inscrição

21 de novembro de 2018

10º Convenção da REDE RSO PT | 28 novembro 2018 | Coimbra

A Fundação AIP, a Universidade Aberta e o ISEC-Instituto Superior de Engenharia de Coimbra promovem no próximo dia 28 de novembro, entre as 10h00 e as 17h00,  a “10ª Convenção Nacional da Rede de Responsabilidade Social das Organizações”.

Durante o encontro serão abordados temas como a transformação digital da economia, assim como a transição energética e a mobilidade sustentável. 

Mais informação AQUI

20 de novembro de 2018

23 novembro | Batalha | Sessão de Esclarecimento PDR2020 | Balanço SI2E e PDR 2020

A Associação de Desenvolvimento da Alta Estremadura - ADAE, em parceria com o Município da Batalha, vai realizar uma uma sessão de esclarecimentos sobre as medidas de apoio do PDR2020, com candidaturas abertas, e uma sessão de informação sobre as medidas de apoio ao investimento e à criação de emprego, com um balanço dos financiamentos concedidos nas candidaturas recebidas pela ADAE no período de 2016-2018.

A sessão terá lugar no dia 23 de novembro, no Auditório Municipal da Batalha, com início marcado para as 17h00, sendo a participação gratuita.

Mais informações no website www.adae.pt


19 de novembro de 2018

21º Feira do Empreendedor | 05 a 07 de Dezembro | Porto

Nos próximos dias 5 a 7 de dezembro de 2018, realiza-se a 21ª Edição da Feira do Empreendedor no Centro de Congressos da Alfândega do Porto, cujas inscrições já se encontram disponíveis.

O certame organizado pela ANJE – Associação Nacional de Jovens Empresários, recebe anualmente milhares de visitantes e direciona o foco para as empresas que disponibilizam produtos e serviços inovadores.

A Feira promove novas oportunidades de negócio, o acesso a novos clientes e parceiros, o lançamento de novos serviços e produtos, o networking empresarial, o acesso às mais recentes soluções ao nível dos apoios e financiamentos, franchising, consultoria, coaching, gestão, marketing, vendas, internacionalização, formação, gestão de carreiras e muito mais.

Esta oportunidade única, resulta desta reunião no Porto, durante 3 dias com representantes de 3 ecossistemas de empreendedorismo jovem (O ecossistema nacional, o ecossistema europeu e o ecossistema que integra a CPLP).

A área de exposição privilegiará o universo das soluções inovadoras de apoio ao ecossistema empresarial, com um mega showroom temático: o Entrepreneur Showcase que contará com cerca de 100 empresas e entidades com intervenção direta ou indireta no apoio aos empreendedores e empresas.

Mais informações AQUI

14 de novembro de 2018

Fundo Recomeçar – Ambiente | Abertas as candidaturas até 31 de dezembro de 2018

Promovido pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, constitui objeto do Fundo Recomeçar - Ambiente o apoio financeiro a iniciativas promovidas por entidades públicas ou privadas, nomeadamente as autarquias locais, associações públicas e privadas e empresas, que apresentem a sua candidatura nos termos do Regulamento de Funcionamento e de Gestão do Fundo Recomeçar e cujos projetos visem as freguesias afetadas pelos incêndios de 15 e 16 de outubro de 2017, identificadas na Resolução do Conselho de Ministros n.º 4/2018 e no Despacho nº 107-A/2017, de 7 de dezembro 

A apresentação das candidaturas a todas as medidas de apoio é realizada no período de 5 de Novembro a 31 de Dezembro de 2018. 

Para mais Informação consulte o site do Fundo Recomeçar da SCM. AQUI

13 de novembro de 2018

Viseu | 22 novembro | Formação em Higiene e Segurança Alimentar para Alojamento Local

Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal - AHRESP em parceria com o Centro de Formação Profissional para o Sector Alimentar, promovem uma formação, sob o tema “Introdução aos Princípios de Higiene e Segurança Alimentar para o Alojamento Local”, no próximo dia 22 de novembro, das 9h00 às 18h00, na Delegação da AHRESP de Viseu (Rua da Prebenda, º 72 | 3500-173 Viseu). 

Preços das Inscrições:
Para Associados da AHRESP 
  • Com AL qualificado pelo Programa QUALITY – Formação Gratuita 
  • Com AL não qualificado pelo Programa QUALITY – 20€
Não Associados – 60€

Faça AQUI a sua inscrição 

Para mais informações contacte através do e-mail  viseu@ahresp.com ou telefone 232 458 328 

Consulte o Programa QUALITY


9 de novembro de 2018

12 novembro | Leiria | Seminário " A Gestão de Turismo e a sua Importância no Século XXI"

A D. Dinis Business School promove na próxima segunda-feira, dia 12 de novembro, no Edf. Nerlei em Leiria, um seminário cujo tema é "A Gestão de Turismo e a sua Importância no Século XXI ". Gilda Luís e Carlos Bernardo são os convidados que irão partilhar a sua vasta experiência com os presentes neste seminário.

“Gilda Luís, é atualmente Diretora de Marketing, CRM e Fidelização do Pestana Hotel Group e foi Diretora de Comunicação Corporativa da TAP.
Carlos Bernardo é o criador do blog de viagens " O Meu Escritório é lá Fora!”, este conta com cerca de 1 milhão de visitas por ano, sendo reconhecido com diversos prémios e distinções dos quais se destacam: o galardão de "Blog de Viagens do Ano" (2017), prémio promovido pela FITUR (Feira de Turismo de Madrid) e o prémio de "Blog de Viagens Pessoal do Ano" (2018), promovido pela BTL (Bolsa de Turismo de Lisboa).”

A participação é gratuita mas sujeita a inscrição, através deste formulário online ou do email susete.mendes@ddinisbschool.com

8 de novembro de 2018

Empreendedorismo Sustentável Green Up - Terra+

Estão abertas as inscrições para o Green Up, o programa de aceleração que pretende valorizar os recursos endógenos e fomentar o empreendedorismo sustentável. Tem como objetivo apoiar empreendedores com ideias, projetos ou negócios sustentáveis que protejam e beneficiem os recursos endógenos.

Este programa de aceleração será dinamizado no âmbito do Terra+, projeto que irá implementar um conjunto de ações de capacitação e sensibilização para a biodiversidade e serviços dos ecossistemas das zonas florestais, promovendo a valorização do Pinhal Interior.

O bootcamp está dividido em dois dias, o primeiro, constituído por sessões de formação e de trabalho entre a equipa dinamizadora do evento e os empreendedores inscritos, terá lugar no dia 13 de novembro, em Alvaiázere.

No segundo dia de Bootcamp, em Vila Nova de Poiares, no dia 14 de novembro, será dinamizada uma conferencia com o tema “Empreendedorismo Verde”, seguindo-se a apresentação dos projetos dos empreendedores.

Poderá fazer a sua inscrição AQUI


7 de novembro de 2018

Conferência elucida principais mudanças nas regras do Alojamento Local


"As novas regras do Alojamento Local: o que mudou?" foi o tema da conferência realizada ontem no SerQ – Centro de Inovação e Competências da Floresta, na Sertã, promovida conjuntamente pelo Município da Sertã e pela RSA  Advogados e com o apoio do Turismo Centro de Portugal. 

Rita Montalvão, da RSA Advogados, abordou as principais alterações introduzidas ao regime jurídico do alojamento local, nomeadamente no processo de registo, que passa a prever um procedimento de comunicação prévia com prazo, à necessidade de autorização do condomínio para a instalação de «hostels», à afixação de placas identificativas que se estende a outras modalidades ou à celebração de um seguro de responsabilidade civil. 


Para além dos sistemas de incentivo disponíveis para projetos de alojamento local, Gonçalo Gomes abordou a evolução da oferta de alojamento local na região Centro, que atualmente regista 55.000 camas, superando as 47.000 dos empreendimentos turísticos, assim como o crescimento registado no concelho da Sertã entre 2013 e 2017, quer em taxa de ocupação-cama (de 24% para 34,7%), quer em número de dormidas em alojamento turístico (de 24.821 para 50.811). 




Por fim, Hugo Ferreira da Paintgap abordou questões relacionadas com a fiscalidade específica das entidades exploradoras de estabelecimentos de alojamento local, focando a intervenção no cumprimento por parte dos investidores das suas obrigações fiscais, declarativas e de pagamento, bem como em questões administrativas associadas à atividade.


Congresso do Cluster Habitat Sustentável - Cincos'18

O Cluster Habitat Sustentável, realiza a 6ª Edição do seu Congresso - CINCOS’18, no dia 07 de dezembro em Aveiro.

Este ano, o mote do congresso é “Como Construir Amanhã?”, face aos atuais desafios que as entidades da cadeia de valor do Habitat enfrentam, com o objetivo de dar a conhecer soluções que os diversos associados do Cluster possuem para dar resposta a esses desafios.

As inscrições deverão ser efetuadas até 30 de novembro 

Consulte o programa AQUI

6 de novembro de 2018

2ª Edição Turistalks "Inovação em Turismo" | Coimbra

A Turisforma está de volta com a 2ª Edição do evento – Turistalks, desta vez com a temática “Inovação em Turismo”. Este evento terá lugar no auditório da Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra, pelas 18h30, do dia 20 de novembro.

A entrada é gratuita, carecendo apenas de inscrição obrigatória.
 
Faça já AQUI a sua inscrição

5 de novembro de 2018

6º Fórum Empresarial do Distrito de Aveiro | 16 de Novembro | Centro de Artes de Águeda

Aquando do 6º Fórum Empresarial do Distrito de Aveiro a realizar no dia 16 de Novembro, no Centro de Artes de Águeda, a AIDA encontra-se a preparar Reuniões de Speed Networking, com a duração de 15 minutos/empresa, que decorrerão entre as 14h-15h ou 18h-19h.

Os empresários inscritos terão a oportunidade de se apresentar, apresentar o seu negócio ou actividade profissional, estabelecer novas parcerias e alianças estratégicas, bem como identificar oportunidades de negócio, para tal deverão preencher a Ficha de Inscrição e indicar horário do seu interesse.

Antes de enviar a Ficha de Inscrição, via email, para as reuniões de networking deverá inscrever-se no 6º Fórum Empresarial através do seguinte link: http://eventos.aida.pt/inscricoes

Sublinhe-se que, à semelhança das edições anteriores, prevê-se neste evento a presença de, aproximadamente, 450 participantes, entre empresários, agentes económicos e especialistas em assuntos de interesse para a comunidade empresarial, constituindo, desta forma também, um momento de debate e troca de know-how entre os presentes.


29 de outubro de 2018

A Odisseia do Panças: O Gato do Posto de Turismo



Todos os fins-de-semana, uma multidão de espanhóis atravessa o Tejo Internacional no barco Balcon del Tajo. Alguns, desembarcam no Posto de Turismo de Castelo Branco. Entram e ignoram os mapas, as brochuras, as funcionárias. Limitam-se a deambular pelo espaço, com olhos ávidos e ansiosos que perscrutam cada recanto. Atrás do balcão, Margarida contempla-os com um sorriso. Está no posto de turismo há quatro décadas. Já viu turistas de todos os cantos do mundo, mas desde 2012 que está particularmente habituada a essa movimentação. Sabe que toda essa correria será prosseguida por uma questão. “Donde está el gato?”. 
Esta é a história de um gato que vive num posto de turismo. Um gato que é, ele próprio, uma atração turística.

Tudo começou numa manhã de Junho de 2012. Margarida estava no balcão do posto e foi surpreendida por um grito. Uma jovem estagiária tinha ido regar as plantas nas traseiras do edifício e assustou-se ao ver uma gata recém-nascida, escanzelada e com olhos remelosos, quase moribunda. “Estava sentadita num dos degraus de pedra, à espera da morte”, relembra. Deduziu que a mãe tinha pressentido que ela estava doente e a tinha separado da ninhada para não a contagiar. “Não íamos abandoná-la uma segunda vez”. A notícia alastrou-se pelo edifício. Instantes depois, toda a equipa estava reunida em volta do acontecimento. Uns foram comprar soro fisiológico e pomada oftalmológica, outros, leite para gatos bebés. Margarida limpou-lhe os olhos e encheu um pires com leite. “Era trapalhona, metia as patas dentro do pires enquanto bebia”. Alguém encontrou uma caixa de cartão, colocaram-na no jardim, ao sol, e meteram a gata lá dentro. “Ela ficou lá deitada, sem reação, só se via o movimento da respiração na barriguita”. Às 18 horas, foram vê-la. Esperavam o pior, mas ela saltou lá de dentro e, cambaleante, dirigiu-se a elas. “Só tinha pernas e orelhas”. A equipa ficou emocionada com a sua perseverança. Apelidaram-na de Esperança.



Margarida desparasitou-a e tratou-lhe a conjuntivite com medicamentos. No entanto, os dias passavam e ela não parecia melhorar. “Desfalecia com frequência e parecia estar sempre desequilibrada”. Resolveu levá-la ao veterinário. Foi lá que teve duas surpresas. A primeira: a Esperança não era uma gata. A segunda: ele era cego, embora o problema fosse reversível. “Tinha a ver com os valores sanguíneos”, refere. O gato ficou internado, sob medicação. No final do dia, Margarida recebeu um telefonema. Tinha piorado e estava com convulsões. Foi colocada a hipótese de eutanásia. “Vamos esperar pela manhã”, sugeriu Margarida. “Prepare-se para o pior”, advertiu a veterinária.

Dominada pela ansiedade, Margarida não dormiu nessa noite. Não o conseguia explicar, mas a sua afeição crescia a um ritmo desproporcionado quando comparada com o pouco tempo decorrido desde que o felino entrara na sua vida. E persistia uma dúvida que ameaçava não a abandonar, caso o gato o fizesse nesta noite de insónia. “Terei interferido com a ordem natural das coisas?”.

Era manhã cedo quando o toque do telefone irrompeu pelo quarto. Margarida não hesitou, respirou fundo e atendeu. Tentou, em vão, analisar a voz feminina que lhe disse que ia transferir a chamada à veterinária. “Se fossem más notícia será que me saudava de forma tão bem-disposta? Ou isso será apenas o comportamento padrão?”. Estremeceu quando ouviu o auscultador ser levantado no outro lado da linha. No entanto, a primeira frase devolveu-lhe o sorriso. “Sabe o que lhe digo? Este gato é um mimado, só quer colo”.

O gato regressou ao posto de turismo e foi rebatizado. De Esperança, passou a Panças. “As pessoas pensam que é por ele ser gordinho, mas naquela altura era tudo menos pançudo”, afirma a funcionária. 
A ideia era manter o gato naquele local até este ser adotado. Houve manifestações de interesse, mas nenhuma se concretizou. Os dias passaram, o Panças recuperou a visão, ganhou peso e a afeição de todos. Num compartimento privado no posto, colocaram duas tacinhas, um pequeno ginásio, uma caixinha com areia, uma cama almofadada e até reuniram um pequeno conjunto de brinquedos. “Pouco a pouco, o seu espaço foi nascendo”.




As semanas na companhia do Panças passaram a meses. De meses, a anos. “Foi um processo espontâneo e natural”. De um momento para o outro, parecia que ele sempre fizera parte do espaço. Todos se habituaram à sua presença e, sobretudo, à sua personalidade. Muitas vezes ignora a caixa de areia, pois “prefere pedir que lhe abram a janela para ir ao jardim”. Da mesma forma que ignora a taça de água, pois “prefere saltar para o lavatório e pedir que lhe abram a torneia”. E até ignora os seus brinquedos felinos, pois “prefere brincar com tampas de plástico das garrafas, que traz na boca até às nossas secretárias para as arremessarmos para ele ir buscar, como se fosse um cão”, diz Margarida, acrescentando que esse não é o único exemplo das tendências caninas do Panças. “Ele também dá sinal”, afirma, com um sorriso. “Se entram turistas no posto e eu estou lá fora, ele vai à porta para o jardim, dá um miado discreto e volta a entrar. Se eu ignoro, ele regressa, dá um miado mais persistente, e volta para dentro”. 




“Mira, él está aquí!”, alguém grita junto à estante com livros das regiões do Centro de Portugal. O grupo espanhol conflui de imediato para o local. “Que lindo eres!” e outras expressões similares são abafadas pelo barulho dos obturadores das máquinas fotográficas. Lá atrás, indiferente a todo o alarido, o Panças dorme num puff.

“Os turistas adoram-no! Fazem sempre uma festa quando o vêm”, afirma a funcionária. Está habituada ao Panças monopolizar as atenções no Posto de turismo. “Se ele está à vista, os turistas já não nos ligam nenhuma, é como se fossemos transparentes”, diz, a rir. Esse entusiasmo acompanha sempre os viajantes para os seus países de origem. É uma recordação que desperta sempre um sorriso. É uma história que nunca deixa de ser contada. “Na próxima semana, já vão surgir novas pessoas a perguntar por ele”.



A busca pelo Panças é um ritual quase diário dos visitantes do Posto de Turismo de Castelo Branco. Quando não está à vista, procuram-no no jardim e deliciam-se a vê-lo a brincar com os melros, que saltitam à sua frente na relva, ou a subir às árvores. “Parece um esquilo”, sorri Margarida. Esteja onde estiver, as máquinas fotográficas nunca deixam de disparar. “Há fotografias dele um pouco por todo o mundo”. Recentemente, uma Japonesa passou uma manhã inteira no posto a tirar-lhe fotografias. “Ele escondia-se atrás dos expositores ou das plantas, mas ela, pacientemente, segui-a-o para todo o lado. Não dizia uma palavra, só sorria quando revia as fotos no visor da máquina”.
Esse silêncio, no entanto, é incomum. Margarida é frequentemente questionada sobre a história do Panças. Repete-a vezes sem conta. Turistas, visitantes, albicastrenses, todos escutam cada detalhe com atenção. E todos louvam o posto pelo “gesto cívico e humano” e sublinham que devia ser um exemplo seguido por outros espaços ou entidades.
Timidamente, Margarida sorri sempre com essas interpelações. “Foi apenas um gesto natural e espontâneo, que acabou por se transformar numa fonte de alegria diária para quem trabalha aqui e para todos os turistas que nos visitam”, afirma. Explica que o gato não é um elemento a mais, mas um elemento paralelo, que “já faz parte da mobília” e está perfeitamente enquadrado e adaptado às circunstâncias. “É muito limpinho e bom comportado, de forma condicente o com o local onde está inserido”, sublinha.


E pronto, essa foi a odisseia do Panças”, refere Margarida, com os braços abertos, em jeito de conclusão. Um gato com uma manta com o seu próprio nome bordado. Um gato dócil mas nem sempre adepto de colo. “Ele gosta de procurar o seu próprio canto e estar sossegado”, diz Margarida. Faz uma pausa, sorri e acrescenta: “A não ser quando ele pressente que as pessoas estão em baixo”. Revela que há alguns anos, num período menos positivo, o gato passou a dormir diariamente no seu colo. “Noutra altura, um dos colegas do andar de cima estava particularmente triste. Todas as manhãs ele ia miar para que lhe abríssemos a porta, subia as escadas e ia sentar-se no colo dele”. 
O quotidiano deste posto de turismo está recheado de mil e um momentos de cumplicidade felina. “Até ajuda a quebrar o gelo com os estagiários mais tímidos”, relembra Margarida. Sorri, enquanto lê mais um e-mail de uma turista, que enviou uma fotografia e escreveu um parágrafo inteiro a louvar a atitude. Não é indiferente aos elogios, mas não se deixa contagiar por eles. Debruça o olhar para o Panças, enroscado num dos sofás.

“Acho que é um animal feliz e isso é que é o essencial”.


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