9 de abril de 2019

Ground Piece: Mais do que alojamento, uma comunidade


“Foi um momento de enorme felicidade”, recorda Ana Inês Filipe. “Integrar uma lista de finalistas, todos eles com projetos interessantíssimos e de elevada qualidade, deixou-nos muito orgulhosos”. 
O sentimento foi partilhado com o marido, David Filipe, quando ambos souberam que o seu projeto “Ground Piece – Pedaço de Chão” tinha ficado em segundo lugar na edição 2018 do concurso de empreendedorismo turístico “José Manuel Alves”, do Turismo Centro de Portugal. 

Tudo começou em 2015. Ana, uma gestora comercial de 33 anos e natural de Leiria e David, diretor de uma empresa de instalações técnicas, 32 anos, natural da Batalha, há imenso que debatiam a possibilidade de construirem uma comunidade, “um sítio onde cada um se pudesse expressar livremente, respeitando a Natureza e o próximo”. Foi nessa altura que a ideia evoluiu e ambos decidiram avançar e apostar num projeto empreendedor que permitisse criar o seu próprio emprego e, simultaneamente, investir na sua terra, pela qual se confessam “apaixonados”. 

E assim nasceu o “Ground Piece – Pedaço de Chão”, um projeto de alojamento integrado num bosque centenário com carvalhos e sobreiros que promete aos hóspedes uma experiência de comunhão com a Terra, integrando vertentes de turismo de natureza, valorização do património e colaboração com as entidades locais. Um aldeamento turístico que pretende ser modelo para um futuro sustentável e comunidades mais resilientes. “O nosso objetivo é que venha a ser uma referência no turismo em rede e desenvolvimento comunitário. Ambos valorizamos muito o trabalho em equipa e a adoção de práticas sustentáveis”, refere Ana. 

O casal empreendedor sublinha que se trata de um projeto “da comunidade para a comunidade”, onde os materiais, os produtos e até os serviços serão endógenos. “Estamos a identificar jovens talentos da nossa região e a trazê-los para o projeto”, afirma Ana. Sorri e prossegue: “Que neste ambiente de criação que é a natureza, consigamos encontrar uma solução para um mundo melhor”.


Da idealização à implementação, o principal desafio da dupla empreendedora foi encontrar os “parceiros certos” para avançar com o projeto. “Apostámos em empresas da região, inovadoras, que partilham os mesmos valores e estão disponíveis para partilhar riscos e trabalhar numa relação de total transparência. Foi um desafio, pois é uma abordagem que foge à tradicional relação comercial”, afirma David. 

Ana aproveita esta última frase e acrescenta: “Queremos ser mais do que um aldeamento turístico, onde se vendem quartos. Queremos vender uma solução de futuro que possa ser experienciada por quem nos visita e transportada para o seu local de origem”. 

Presentemente, o casal aguarda a aprovação do Pedido de Informação Prévio, submetido à Câmara Municipal de Alcobaça. “Enquanto isso, estamos a desenhar aquele que será o conceito GroundPiece”, anuncia Ana, partilhando que espera “obter o licenciamento durante o corrente ano e abrir as portas ao público em 2020”. 

“É um projeto que conta com várias fases e vários níveis de atuação na comunidade, mas para já estamos focados na vertente de aldeamento turístico, para acolher todos os que queiram experimentar este novo modelo de alojamento”, complementa David. 

Ambos souberam dos prémios José Manuel Alves através de um e-mail enviado pelo vereador da Câmara Municipal de Leiria, Gonçalo Lopes. O e-mail tinha a forma de sugestão e eles resolveram acatá-la. “Na altura o projeto era ainda um sonho e quisemos saber se teria interesse e aceitação por parte de uma entidade tão meritória como é o Turismo Centro de Portugal”, diz Ana. 

Passadas algumas semanas, enviaram a candidatura. Na manhã de 21 de Abril de 2018, souberam que tinham sido selecionados para integrar o lote de 10 finalistas. Na semana seguinte, receberam uma notícia ainda melhor: tinham ficado em segundo lugar. Receberam o galardão na Gala do fórum Vê Portugal, realizado em Maio desse ano, na Guarda. Uma distinção que consideram fulcral no avanço do projeto. 


“Foi essencial para chegarmos onde estamos hoje”, afirma Ana. “Permitiu-nos conhecer melhor o meio e facilitou o acesso a outros aceleradores empresariais. Num contexto onde há abundância de ideias e o apoio aos empreendedores segue rigorosos processos de elegibilidade, o Prémio José Manuel Alves deu-nos a credibilidade necessária para receber a confiança dos nossos parceiros; e passar de um sonho para um negócio real.” 

O Concurso de Empreendedorismo Turístico / Prémio José Manuel Alves é organizado pela Entidade Regional do Turismo do Centro de Portugal desde 2016 e destina-se à deteção e apoio a projetos inovadores no setor do Turismo com implementação na região Centro de Portugal, sendo atribuído ao vencedor o Prémio José Manuel Alves, em homenagem ao percurso do ex-presidente da Região de Turismo do Centro, que esteve na génese da criação do gabinete de Apoio ao Investimento Turístico, na região Centro de Portugal. 
A presente edição do concurso está em curso. Consulte aqui o regulamento.

6 de abril de 2019

Projetos de Turismo Acessível elegíveis no Aviso da Valorização Turística do Interior



O Despacho Normativo n.º 10/2019, publicado no Diário da República de ontem, prevê uma alteração ao programa Valorizar que incide sobre o aviso de concurso atualmente disponível da Linha de Apoio à Valorização Turística do Interior.

Às tipologias de projetos enquadráveis no âmbito desse aviso, que tem fase de candidaturas a decorrer até 30 de novembro, é aditada a tipologia de projetos que contribuam para a criação ou reforço de soluções de acessibilidade para todos em projetos turísticos, com condições específicas que incluem a elegibilidade de projetos localizados em todo o território nacional ou que apresentem soluções integradas do ponto de vista de acessibilidade, que possam cobrir as necessidades especiais de todos, independentemente da respetiva incapacidade, temporária ou definitiva.

5 de abril de 2019

03 maio | 16:00 | Lousã | Workshop: apoio à Internacionalização e Inovação


A Câmara de Comércio e Indústria do Centro (CEC), no âmbito das atividades do projeto CETEIS – Centros Transfronteiriços de Apoio ao Empreendedor Inovador e da Enterprise Europe Network, promove no próximo dia 3 de maio, pelas 16h00, na Associação Empresarial da Serra da Lousã (AESL) um workshop: apoio à internacionalização e Inovação.

Programa

1 Breve apresentação do projeto CETEIS
- âmbito geográfico e de atividade
- ferramentas disponibilizadas
- apoios individualizados às empresas

2 Apresentação da rede Enterprise Europe Network
- âmbito
- ferramentas e áreas de apoio disponibilizadas
- apoios às PME

3 Análise e identificação de potenciais perfis de empresas com potencial de internacionalização

4 Reuniões individualizadas

Para mais informações: contacte via email EEN-Portugal@cec.org.pt ou telf: 351 239 497 161


4 de abril de 2019

Os resultados do projeto Plowder: uma ferramenta pioneira para monitorização dos territórios de baixa densidade


No final do Verão de 2017, uma equipa multidisciplinar de investigadores abraçou uma missão pioneira em Portugal: Desenvolver uma ferramenta inovadora de monitorização para estudar e analisar o impacto económico e social dos territórios de baixa densidade em geral, e das Aldeias Históricas de Portugal (AHP), em particular. O objetivo era definir um conjunto de indicadores para avaliar o impacto económico e social das atividades turísticas das AHP. A equipa - constituída numa parceria entre o Turismo Centro de Portugal, as Aldeias Históricas de Portugal, o Instituto Politécnico da Guarda e o Instituto Superior de Contabilidade e Administração da Universidade de Aveiro - intitulou o projeto de Plowder e meteu mãos à obra. Ontem, após 18 meses de investigação, foram apresentados oficialmente os resultados, num seminário que decorreu no Hotel Inatel Linhares da Beira, situado naquela que é uma das 12 aldeias históricas do país. 

Entre as conclusões do estudo, ficou-se a saber que o orçamento médio de cada visitante das aldeias da rede das AHP "é de 546,95 euros" e também que, em média, os visitantes ficam alojados “entre um a dois dias, visitando, em média, três aldeias". 


Carlos Santos, investigador responsável do Plowder, destaca a natureza “absolutamente pioneira do projeto, uma vez que foi criado com o objetivo de dar resposta às lacunas na recolha de informação estatística nos territórios de baixa densidade, em especial à falta de dados qualitativos". 
O investigador explica que foi definida uma framework de análise que classifica um conjunto de indicadores segundo dois tipos de dimensões: caracterização e agregação, que englobam indicadores de dimensão económica, social, ambiental, habitabilidade, viabilidade, equidade, sustentabilidade, ecossistema, bem-estar, satisfação, cultura, vitalidade económica, emprego, marketing e mobilidade e acessibilidade. 


Carlos Santos destaca a “validação de todo o framework de análise e dos indicadores em duas sessões de focus groups, junto de agentes económicos, agentes autárquicos, académicos e residentes" e a implementação da ILDA, "uma plataforma digital para recolha, tratamento de dados e produção de indicadores”. O investigador salienta ainda que o projeto “dá resposta a uma manifesta necessidade dos territórios de baixa densidade, em particular as Aldeias Históricas de Portugal, produzindo indicadores com granularidade adequada a estes territórios”. O grande objetivo, assume, consiste em manter a exploração da plataforma criada, sistematizar a recolha de dados e até, eventualmente, replicar o programa noutros territórios de baixa densidade nacionais. 


A sessão de abertura do evento contou com a participação de Paulo Jorge Ferreira, reitor da Universidade de Aveiro, Manuel Salgado, vice-presidente do Instituto Politécnico da Guarda, António Robalo, presidente das Aldeias Históricas de Portugal e Pedro Machado, presidente do Turismo Centro de Portugal. 


Na sua intervenção, Pedro Machado destacou a importância da aquisição de dados e da transferência de conhecimento, sobretudo em matéria de turismo. 
“É muito importante perceber que 20% da receita do país hoje advém da atividade turística, mas a realidade é que há ainda muito pouca informação sobre turismo em Portugal. É importante termos dados para percebermos o que estamos a fazer”, frisou, salientando que “estes dados são também importantes para os destinos, na definição da estratégia dos próximos três anos”. 


Segundo Pedro Machado, a ideia de sustentabilidade “não pode ser apenas um chavão”. “Ela está materializada num conjunto de objetivos que assumimos para 2019, 2020 e 2021. Queremos aumentar as receitas e precisamos de alargar o turismo a todo o território. Atualmente temos uma hipermassificação turística em três destinos: Algarve, Lisboa e Madeira. O país foi promovido durante décadas como um destino de sol e praia, o que provocou dois problemas estruturais: o monoproduto e a sazonalidade. Por isso, alargar o turismo a todo o território é um grande objetivo”, assumiu, salientando que destinos como o “Centro de Portugal, o Alentejo e os Açores têm hoje crescimentos acima da média precisamente porque escapam à tendência que foi promovida durante tantos anos. Temos de criar condições para que todo o território tenha a mesma capacidade de receber os fluxos turísticos”, sublinhou. 


“Assumidamente, o luxo do Século XXI está nestes territórios. Percebemos hoje que os novos turistas, de perfil médio-elevado, o procuram a segurança, o silêncio, a diferenciação, a autenticidade. Temos isso nestes territórios”, garantiu Pedro Machado. 


O evento prosseguiu com um painel dedicado ao enquadramento, metodologia e apresentação dos resultados do projeto, que contou com a participação de Ana Melo, que elucidou a plateia sobre o enquadramento, framework de análise e indicadores, com Rui Marques, que abordou a Plataforma ILDA e Ricardo Biscaia, que apresentou e discutiu os resultados obtidos. 


Posteriormente, foram debatidas questões relativas à sustentabilidade dos territórios de baixa densidade, num painel constituído por Patrícia Araújo, representante em Portugal do Instituto de Turismo Responsável e dos Referencias Internacionais Biosphere Responsible Tourism, Adriano Costa, docente e investigador da Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Instituto Politécnico da Guarda e Jorge Brandão, representante da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC). 


O investigador Carlos Santos encerrou a sessão, sublinhando que o programa permitiu concluir que “os alojamentos mais procurados pelos turistas são os existentes no espaço rural” e que “a maior motivação dos visitantes relaciona-se com o património histórico e cultural do concelho onde se situam as Aldeias Históricas, seguida do contacto com a natureza e com a ruralidade". 
Carlos Santos informou ainda que, segundo os dados apurados, a maioria dos residentes está “satisfeita ou muito satisfeita” com o impacto do turismo na sua aldeia.

A equipa do Projeto Plowder




Sessões de Esclarecimento | Programa de Formação-Acção “Melhor Turismo 2020”


No âmbito do 2º Aviso-2019 para a Apresentação de Candidaturas ao Programa de Formação-Acção “Melhor Turismo 2020”, restrito e exclusivo para o setor do turismo, a Confederação do Turismo de Portugal (CTP) irá realizar sessões de divulgação nas três regiões passiveis de intervenção: Norte, Centro e Alentejo. As sessões serão abertas a toda a comunidade interessada, nomeadamente Entidades Promotoras, Formadoras e Beneficiárias (PME). A participação é gratuita com pré-inscrição obrigatória.

Centro:
- Figueira da Foz | 12 abril | 10h00 | Hotel Mercure 
- Castelo Branco | 24 abril | 14h30 | Associação Empresarial da Beira Baixa 

Consulte aqui calendário geral das sessões e faça a sua pré-inscrição.


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